Com
a estreia do programa de Fátima Bernardes e a extinção do “TV
Globinho”, o espectador se pergunta: e como fica o público infantil que
sintonizava nas manhãs da Globo? A resposta para essa pergunta, ao que
tudo indica, está no horário noturno. A novela das 19h, “Cheias de
charme”, é um sucesso absoluto entre as crianças. A primeira pesquisa (o
group discussion) sobre a novela que a Globo realizou, há cerca de três
semanas, revelou, por exemplo, que Chayene, personagem de Cláudia
Abreu, é um dos personagens favoritos de quem acompanha a história de
Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. O motivo: essa é uma vilã “que está
sempre se dando mal”. Se para construir as cinderelas de seu enredo a
dupla de autores bebeu nas histórias dos irmãos Grimm, quem não
reconhece na cantora-armadora os desenhos do coiote Papa-Léguas e sua
eterna — e invariavelmente malsucedida — caça ao esperto Bip Bip? Ou a
peleja de Tom e Jerry, o gato que nunca captura o rato, e ainda assim
está sempre correndo atrás?
“Cheias de charme” possui enredo de
conto de fadas e desenho animado e conceito estético idem. Muito
colorida e afeita aos efeitos especiais não aceitáveis em qualquer
história realista, tem na fantasia rasgada um de seus pontos mais
fortes. A faixa das 19h é tradicionalmente considerada “difícil” por
todos os realizadores de televisão (quem é o sujeito na frente na TV
nesse horário é a eterna pergunta). Talvez agora seja a hora de rever
esse conceito. A novela das empreguetes agrada às crianças sem
entretanto afastar os adultos interessados numa comédia leve.
Os
bons números de “Carrossel”, do SBT, são outra mostra de que as crianças
prestigiam a televisão aberta à noite, quando a programação mira nelas.
A adaptação de Íris Abravanel dirigida por Reynaldo Boury não tem a
explosão de originalidade da novela da Globo. Ao contrário. Mas conta
com uma audiência que se traduz sempre em mais de dez pontos. São em
geral meninas de entre 4 e 11 anos (dados do Ibope) atentas aos
acontecimentos numa escola fictícia. Ou seja: o público infantil,
essencial para a criação do hábito de ver TV na fase adulta, não deixa
de estar servido.
Patrícia Kogut



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